Biografia de Victoria Ocampo

Pertencente a uma família da alta nobreza argentina, Victoria Ocampo foi sem dúvidas uma das figuras intelectuais e também políticas mais importantes do século XX. A partir do seu trabalho como escritora e crítica de literatura, mas também por sua exposição abertamente contrária ao regime peronista, ela rapidamente se tornaria conhecida no mundo das letras e intelectual argentino, deixando um legado indelével graças a suas publicações e seu trabalho tanto local como internacional.

As origens de uma família privilegiada e sua rebeldia feminista

Tal como destacado anteriormente, Victoria Ocampo (nascida em 1890 com o nome oficial de Ramona Victoria Epifania Rufina Ocampo) pertenceu a uma família com laços históricos de grande profundidade e exclusividade. Estima-se que a família Ocampo tinha laços históricos e de antepassados com os reis católicos da Espanha, assim como com inúmeras figuras artísticas e políticas da Argentina. Esta área de origem, certamente privilegiada para a época, colocou ela e suas irmãs rapidamente em contato com um mundo de elite onde o conhecimento e a intelectualidade eram costume.

Depois de realizar inúmeras viagens pela Europa, algo que para época era considerado uma obrigação para os jovens das famílias poderosas, Victoria desenvolveu um interesse particular pela cultura europeia fortalecendo seus laços com a mesma. Decidida em fazer de sua vida algo mais do que simplesmente cumprir o papel esperado de uma mulher daquela época, a escritora dedicou sua vida ao enriquecimento intelectual pessoal em vez de servir os outros. Isso a transformou de grande modo em uma mulher de destaque para a época e em uma figura feminista essencial. Em 1936, fundou a União Argentina de Mulheres junto com algumas amigas, um elemento histórico de grande significado com o objetivo de consagrar os direitos ainda inexistentes das mulheres.

A revista Sur e suas publicações de elite: a intelectualidade como um valor de destaque

No início da década de 1930, enquanto grande parte do planeta se encontrava convulsionado pela mais forte crise capitalista, Victoria Ocampo decidiu fundar uma revista cultural que seria importantíssima para a história política e intelectual da Argentina. A revista Sur começou a ser publicada em 1931 e significaria uma contribuição essencial para a cultura local, pois nela a escritora mostrava gala no contato com inúmeras personalidades da arte internacional, desde músicos até escritores, artistas e políticos.

Seus problemas permanentes com o peronismo por causa do desprezo que sentia por essa expressão política e social eram os grandes obstáculos na publicação de sua revista, assim como com as viagens que fazia continuamente para o exterior. Acredita-se que Victoria Ocampo tenha participado de certa forma do bombardeio na Plaza de Mayo que ocorreu em 1955 e derrubou Perón do poder. Uma verdadeira defensora da cultura de elite e de um estilo de vida exclusivo. Ocampo faleceu finalmente aos 88 anos, em 1979, após uma gigantesca e imensurável trajetória cultural.

> Proximo >>>

Buscador