Biografia de Joana a Louca

Nasceu na cidade de Toledo em 1479, sendo a terceira filha de Isabel de Castela e Fernando de Aragão, mais conhecidos como os Reis Católicos. Recebeu formação religiosa, aprendeu a bordar, montar a cavalo e também se formou em várias disciplinas humanísticas. Aos nove anos, seus pais começaram a preparar seu casamento com o arquiduque Filipe da Áustria.

Desde o primeiro momento a princesa se sentiu muito atraída por Felipe, que tinha como apelido: o Belo.

Aos 16 anos sua mãe considerou que já estava pronta para o casamento. O primeiro encontro do casal ocorreu na cidade de Lierre e imediatamente Joana ficou deslumbrada com os atrativos de Felipe

Durante um tempo, permaneceram em Flandres e a princesa se dedicou a duas atividades: participar de festas e vigiar seu esposo. Quando a rainha Isabel teve notícias que sua filha havia abandonado seu fervor religioso, sentiu profunda decepção e por isso enviou um frade de sua confiança para vigiar a vida dissipada de sua filha Joana.

A jovem princesa não recebeu muito bem o frade. Quando regressou a Castela, o clérigo disse à rainha que sua filha estava levando uma vida de perdição e que estava abandonando suas convicções religiosas.

Nessa época, Felipe havia se tornado um mulherengo e sua esposa uma mulher profundamente ciumenta. Regressaram a Toledo, pois tinham que formalizar certos preparativos para sua futura coroação como reis. Felipe não tinha simpatia pela Espanha e voltou para Bruxelas, mas Joana acabara de dar à luz e não tinha forças para acompanhar o marido.

A partir desse momento a princesa começou a comportar-se de maneira estranha, pois gritava sem nenhum motivo, apenas comia e se encontrava triste. Não demonstrava nenhum interesse pelos assuntos do palácio, uma vez que tinha uma única preocupação: vigiar de perto o marido.

No Castelo da Mota, a princesa protagonizou um novo episódio de comportamento estranho. Foi a partir daí que começou a ser conhecida como Joana, a Louca.

A rainha que nunca reinou

Quando retornou a Flandres, descobriu que Felipe tinha uma relação amorosa com uma linda loira de tranças compridas. A princesa procurou sua rival e quando a encontrou lhe atacou violentamente com uma tesoura. Neste momento, Felipe apareceu e separou as duas mulheres. Depois desse incidente, Filipe deu ordens para que sua esposa fosse vigiada de perto. Posteriormente, Fernando de Aragão e Felipe tomaram a decisão de incapacitar Joana de ocupar a coroa de Castela. Desta maneira, quando sua mãe faleceu, Joana se tornou rainha de Castela, mas nunca exerceu o posto de rainha.

Quando seu esposo faleceu e seu pai esteve em Nápoles teve a oportunidade de assumir o controle do reino, mas seu estado emocional não lhe permitia tal condição.

Seu pai ordenou que Joana fosse para a cidade de Tordesilhas. Ela concordou com a condição de levar o cadáver de seu marido (o corpo de Felipe foi depositado no mosteiro de Santa Clara).

Naquela época Joana tinha 29 anos e permaneceu por lá até sua morte, 45 anos depois.

A loucura da rainha despertou todo tipo de debate ao longo da história

Nos primeiros anos de sua reclusão lhe fizeram acreditar que seu pai ainda estava vivo. Ela se encontrava isolada e triste, só contava com a companhia de sua filha Catalina, alguns criados e a assistência espiritual de um sacerdote.

De vez em quando recebia a visita de algum dos seus outros cinco filhos e para passar o tempo montava a cavalo. Os habitantes de Castela queriam que Joana voltasse a reinar, mas ela não tinha interesse e continuava manifestando problemas mentais (há controvérsias sobre a doença que padecia, mas é bem provável que fosse esquizofrenia).

Segundo alguns documentos da época, a rainha perdeu a noção do tempo e por várias vezes se queixava de seus servos, dos quais foram acusados de roubar seus pertences. Morreu aos 76 anos no ano de 1555. Seus restos mortais repousam na cidade de Granada, junto de seus pais e de seu esposo Felipe, o Belo.

Imagens Fotolia: Juulijs, Jose Hernaiz

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