Biografia de Fiódor Dostoiévski

Da mesma forma que Kafka, Vargas Llosa e outros gênios da literatura, a vida e a obra de Dostoiévski esteve marcada por relações tempestuosas com seu pai. A criação literária, a compaixão pelos que sofrem e o jogo foram os impulsos que dominaram seu espírito.

Seus primeiros anos transcorreram em uma humilde casa em Moscou. Sua mãe era uma mulher religiosa que lhe apresentou às leituras da Bíblia. Seu pai, um ex-cirurgião militar que abandonou a medicina para dedicar-se ao cultivo de uma grande extensão de terra na qual trabalhavam mais de cem servos.

Aos 15 anos sua mãe morreu e aos 16 anos seu pai foi encontrado morto em circunstâncias estranhas. Embora os fatos nunca fossem bem esclarecidos, acredita-se que seu pai foi assassinado pelos próprios servos, estes que já estavam fartos do tratamento humilhante e violento que recebiam. Naquela época, Dostoiévski estudava na Academia de Engenheiros Militares de São Petersburgo, graduando-se em 1843 com qualificações medíocres.

Um gênio da literatura dominado pela ludopatia (jogo patológico)

Conseguiu um trabalho burocrático como funcionário, mas o dinheiro que ganhava era gasto rapidamente em alguma mesa de jogo. Para sobreviver tinha que pedir dinheiro emprestado e as dívidas não paravam de aumentar. A ludopatia do escritor foi expressa em um de seus famosos romances, O jogador.

Em seu primeiro romance, Gente Pobre, pôde manifestar o sentimento de compaixão do escritor em relação ao sofrimento humano. Durante sua juventude acreditava que o cristianismo era o caminho certo para dignificar a condição humana, mas depois de entrar em contato com o movimento antinazista se tornou um socialista.

Naqueles anos, na Rússia, surgiram vários grupos de terroristas revolucionários que lutavam pela abolição do czarismo e Dostoiévski manteve relações estreitas com vários de seus líderes.

Em 1849 foi preso pelas autoridades e acusado de conspiração contra o czar Nicolau I. Depois do julgamento foi condenado à morte e, quando já se encontrava diante do pelotão de fuzilamento, o czar trocou a pena de morte por uma prisão na Sibéria.

Durante sua época carcerária, duas circunstâncias o marcaram profundamente: as primeiras crises epilépticas e uma profunda decepção pela degradação humana que observava ao seu redor.

Em 1854 deixou a prisão siberiana para ser enviado ao exílio em uma unidade militar próximo da fronteira com a China. Ali se apaixonou por uma mulher casada com quem finalmente se casou quando ela ficou viúva. O relacionamento com sua esposa não foi precisamente prazeroso.

Em 1859 regressou a São Petersburgo e retomou sua atividade literária. Após o período que esteve na Sibéria o escritor abandonou os ideais do socialismo e se aproximou novamente do cristianismo.

Em 1864 sua esposa e seu irmão morreram e o escritor retomou a relação destrutiva com a roleta. Naquela época de sua vida, o novo czar da Rússia, Alexandre II, introduziu importantes reformas, especialmente a abolição da escravidão.

Junto de sua segunda esposa encontrou a paz espiritual que precisava para escrever

Por volta de 1866 se apaixonou por Anna Grigórievna, uma jovem datilógrafa que lhe ajudou em suas escrituras. Eles se casaram em 1867 e no mesmo dia de seu casamento sofreu um novo ataque de epilepsia. Para saldar as dívidas de jogo que lhe perseguiam, sua esposa vendeu tudo o que possuía. Nos anos seguintes o casal viajou pela Suíça, Alemanha e Itália, mas sempre havia um cassino onde o escritor tinha a oportunidade de jogar e quase sempre perdia.

Em 1871 regressaram a São Petersburgo, onde Dostoiévski começou a escrever uma de suas grandes obras, "Demônios". Em 1873 decidiu abandonar definitivamente sua paixão pelos jogos de azar. Anna se tornou sua editora e nos anos seguintes o casamento alcançou certa estabilidade econômica. Os romances "Os irmãos Karamazov" e "O idiota" foram reconhecidos como duas grandes criações da literatura universal.

O escritor morreu em 1881 aos 59 anos e suas obras são valorizadas como autênticos tratados sobre a psicologia humana. A profunda análise de seus personagens serviu de inspiração para o pai da psicanálise, Sigmund Freud. Os amantes da literatura podem aproximar-se de sua vida e do seu trabalho no Museu Dostoiévski, na cidade de São Petersburgo.

Fotolia. Mario, Vlad Zaytsev

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