Biografia de Esteban Echeverría

Os setores intelectuais da tradição argentina foram de grande relevância para dar sentido a cada época, interpretando tanto o contexto de trabalho como o passado e o futuro. Esta foi a tarefa e o legado de uma das personalidades mais significativas da Argentina do século XIX: Esteban Echeverría. Nascido na província de Buenos Aires, Echeverría se tornou um dos mais importantes pensadores do período rosista.

Recebeu a influência romântica durante uma bolsa de estudos que teve em Paris

Ficou órfão muito cedo, mas teve acesso a uma boa educação através de uma bolsa de estudo concedida pelo presidente Rivadavia para estudar em Paris. Foi justamente na Europa que recebeu a influência do Romantismo que mais tarde transferiu para suas obras.

Quando retornou ao país na década de trinta, Rosas dominava o cenário político. Foi justamente durante a época de Rosas que viveu uma forte e sangrenta luta política disputada entre os lados unitários e federais, sendo Rosas um forte defensor do Federalismo.

Os ideais de uma geração e a decepção do autoritarismo

Esteban Echeverría foi um dos alunos mais renomados do Colégio Nacional Buenos Aires, conhecido na época por outro nome. De acordo com a longa lista de líderes e intelectuais que passaram por esta instituição foi adicionada a presença deste ilustre pensador que se interessou desde o início pela liberdade e os valores antimonárquicos. Na época em que Echeverría consolidou seu pensamento (de 1830 em diante), a Europa foi convulsionada pela recuperação da monarquia após a Revolução Francesa.

Enquanto isso, a Confederação Rosista começou a dar suas primeiras mostras de concentração de poder e o que foi num primeiro momento uma profunda admiração por Rosas terminou rapidamente se tornando uma decepção. A chamada Geração de 37, da qual o pensador em questão integrou e ajudou a consolidar, começou a mostrar sinais de desgosto frente aos modos e metodologias do então líder de Buenos Aires.

Uma trajetória baseada na legalidade e na liberdade política

Quando o Rosismo continuou avançando na consolidação e concentração do seu poder nas mãos de uma só pessoa, o todo poderoso Rosas, os pensadores que se encontravam nas reuniões do Salão Literário, entre o quais podemos destacar Marcos Sastre, Miguel Cané e Felipe Senillosa, entre outros, criaram uma ideologia libertária que reconhece a importância do respeito pela liberdade. Echeverría escreveu entre suas obras políticas o famoso Dogma Socialista, que seria um dos pontapés para a política do século XX e que proporia a construção do poder a partir de um lugar diferente daquele executado no Rosismo.

Devido a sua luta pela consecução desses ideais, Echeverría não pôde ser considerado simplesmente um pensador. Junto com Juan Bautista Alberdi contribuiu para dar forma à corrente de pensamento que na década de 1850 redataria a primeira constituição nacional e que se transformaria a base do liberalismo político argentino.

Perseguido pelo regime Rosista se exilou no Uruguai

As obras de Echeverría não eram mais do que descrever com grande profundidade a violência vivida pela sociedade da época.

Claramente foi um dos perseguidos pelo regime rosista e teve que abandonar o país com destino ao Uruguai, primeiro para Colônia, depois para Montevidéu, onde passaria seus últimos anos de vida.

Faleceu de tuberculose em 18 de janeiro de 1851, em Montevidéu, Uruguai. Tinha nada mais do que 45 anos de idade.

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